O avesso
Estava num daqueles dias em que tudo parecia deserto. Sentia-se triste, muito triste, e árida, e gélida, e sentia a falta de algo indizível, algo que lhe preenchesse a vida, as entranhas, a alma, algo denso, latente, permanente, que se apossasse dela para sempre. Algo que a tornasse viva, definitivamente.
Tudo parecia tão irreal, até mesmo a melodia a bailar em seus ouvidos, como se fosse uma libélula azul, colorindo com pontinhos seus olhos já esmaecidos de tanto esperar. Essa espera, teimosa, incessante, insistente, deixava-a cristalizada, sem chão, sem gestos, petrificada como se fosse uma rocha, imutável...
O olhar se pousara para além do quadro da janela azul e iluminada, sem encontrar seu brilho, permanecendo na escuridão do vazio provocado por uma ausência tão presente que lhe sufocava o próprio peito.
Parou, pensou, olhou novamente para fora de si, para aquela janela aberta para o céu, tentou sentir algo maior, mas nada era maior do que aquele imenso vácuo em que habitava. E, enquanto sentia a sua própria ausência, pequeninas gotas brotavam do canto de seus olhos, tornando-os ainda mais cristalinos e límpidos.
Sentiu estranheza pelo próprio corpo, invólucro incompreensível no qual estava aprisionada, do qual não havia escapatória possível. Os incessantes pensamentos atordoavam-lhe a mente, passavam ligeiros, como enormes pássaros cruéis e ávidos por algo inacessível. O compasso do relógio era um tormento a mais, essas horas e minutos e segundos incansáveis, passando diante de seus olhos, impassivelmente, a deixavam cada vez mais para trás, cada vez mais distante de si mesma, de sua verdade, tornando-a pequenina, insignificante, um rastro de poeira estelar.
Parou novamente, cristalizou-se todo o seu ser. Sentiu o terrível frio da ausência daquele algo indizível, indecifrável. E o mistério permanecia, ileso, solto, livre como um pássaro azul. E ela, terrivelmente presa em sua imensa solidão, colocou as mãos sobre a face já curvada e encontrou o alívio para aquele momento. Sabia que os próximos momentos seriam mais um desafio, mais uma dor, mais um obstáculo a ser superado. Mas parecia conformada com esse incessante bailar de tristezas e vazios, e esperou, com a típica apreensão de quem espera pela chegada do ser amado.
Tudo parecia tão irreal, até mesmo a melodia a bailar em seus ouvidos, como se fosse uma libélula azul, colorindo com pontinhos seus olhos já esmaecidos de tanto esperar. Essa espera, teimosa, incessante, insistente, deixava-a cristalizada, sem chão, sem gestos, petrificada como se fosse uma rocha, imutável...
O olhar se pousara para além do quadro da janela azul e iluminada, sem encontrar seu brilho, permanecendo na escuridão do vazio provocado por uma ausência tão presente que lhe sufocava o próprio peito.
Parou, pensou, olhou novamente para fora de si, para aquela janela aberta para o céu, tentou sentir algo maior, mas nada era maior do que aquele imenso vácuo em que habitava. E, enquanto sentia a sua própria ausência, pequeninas gotas brotavam do canto de seus olhos, tornando-os ainda mais cristalinos e límpidos.
Sentiu estranheza pelo próprio corpo, invólucro incompreensível no qual estava aprisionada, do qual não havia escapatória possível. Os incessantes pensamentos atordoavam-lhe a mente, passavam ligeiros, como enormes pássaros cruéis e ávidos por algo inacessível. O compasso do relógio era um tormento a mais, essas horas e minutos e segundos incansáveis, passando diante de seus olhos, impassivelmente, a deixavam cada vez mais para trás, cada vez mais distante de si mesma, de sua verdade, tornando-a pequenina, insignificante, um rastro de poeira estelar.
Parou novamente, cristalizou-se todo o seu ser. Sentiu o terrível frio da ausência daquele algo indizível, indecifrável. E o mistério permanecia, ileso, solto, livre como um pássaro azul. E ela, terrivelmente presa em sua imensa solidão, colocou as mãos sobre a face já curvada e encontrou o alívio para aquele momento. Sabia que os próximos momentos seriam mais um desafio, mais uma dor, mais um obstáculo a ser superado. Mas parecia conformada com esse incessante bailar de tristezas e vazios, e esperou, com a típica apreensão de quem espera pela chegada do ser amado.

3 Comments:
Christiane, taí uma ávida leitora de Clarice!! Fiquei até com vontade de voltar a uns livros dela com este seu post!
beijos e apareça lá na faculdade,
Puxa, vc colocou a beleza q soh a arte consegue na perfeita descrição duma miscelânea de sensações dos momentos de dor real, a qual tão poucos chegam a conhecê-la durante a vida. Excelente, eu também adoro esse estilo parecido com o da Clarice. "Clarice Lispector sou eu",rs lembra muito o livro"uma aprendizagem ou o livro dos prazeres" algo assim
bjinho,
tania
se nao abrir o mail , so fazendo outro blog, ate mais facil,rsrs e copia os posts. bj
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